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8.
COMO A COISA FUNCIONA
8.1. FORÇA
AERODINÂMICA
Quando se coloca um obstáculo perpendicular ao
vento, este sofre uma brusca interrupção
em seu fluxo normal, ocorrendo alguns fenômenos
que iremos analisar.

Primeiramente vejamos o que acontece atrás do
obstáculo: o vento nesta região está
muito turbulento, ocasionando o fenômeno que chamamos
de "sombra". Testes em túneis de vento
demonstram que esta sombra se propaga a uma distância
de até três vezes a altura do obstáculo,
dado muito importante numa regata, por exemplo, sendo
a embarcação que se encontra à
sotavento de outra, prejudicada pelo vento "sujo".
Outra coisa que acontece é a forte concentração
de moléculas de ar no lado de barlavento e sua
rarefação no lado de sotavento (atrás
do obstáculo), causando uma diferença
de pressão entre os dois lados. Esta diferença
de pressão gera uma força à sotavento,
perpendicular à superfície do objeto em
estudo, chamada de Força Aerodinâmica (FA),
responsável por mover o objeto.
É interessante observar que esta força
é aplicada no lado de sotavento, significando
então que o objeto é sugado, e não
empurrado pelo vento, como normalmente imaginamos.
Este conceito esclarece uma dúvida muito interessante
e comum, de como é possível um barco à
vela velejar contra o vento. A resposta se encontra
nitidamente no ponto de aplicação da resultante
da força aerodinâmica.
8.2. VENTO REAL X VENTO APARENTE
O vento que sentimos quando estamos parados em terra
não é o mesmo que sentimos quando estamos
velejando.
Vejamos uma analogia que irá facilitar o entendimento
deste conceito: quando pedalamos numa bicicleta num
dia de calmaria total, sem vento nenhum, a primeira
coisa que iremos sentir é um vento de proa no
rosto. Se, de repente, mudamos de direção,
lá está novamente o mesmo vento de frente
nos perseguindo. Então, que vento é este,
se não está ventando? De onde ele surgiu?
Ora, se a massa de ar está parada e nós
é que estamos nos movendo, então este
vento que sentimos só pode ser o vento causado
pelo nosso deslocamento dentro da camada de ar que está
estacionária.
Experimente, por exemplo, colocar o braço para
fora da janela do carro em alta velocidade e veja o
que acontece...
Portanto, este Vento de Deslocamento (VD) é bem
real e produz efeitos muito sensíveis.
Digamos que agora comece a ventar um Vento Real (VR)
perpendicular à nossa direção enquanto
nos deslocamos: o vento que sentíamos de frente
no nosso rosto, agora é sentido em apenas um
lado da face. Este vento é chamado de Vento Aparente
(VA) e, é determinado pela soma vetorial de VR
+ VD.
Do ponto de vista técnico, este é o vento
que nos interessa, pois é ele que nos impulsiona
e, se soubermos tirar proveito dele, teremos um grande
aliado.
Podemos
concluir então que, quando velejamos de vento
em popa, ou seja, no mesmo sentido do vento, o vento
de deslocamento atua diretamente contra o vento real.
Com o aumento da velocidade da prancha, temos a sensação
de que a vela fica bem leve.
Então, teoricamente, quando velejamos de vento
em popa com a mesma velocidade do vento, o vento aparente
será nulo, ou seja, não haverá
nenhuma força puxando a vela de seus braços.
8.3. PRESSÃO NA VELA
Quando não estamos velejando de vento em popa,
o vento real irá se dividir ao encontrar com
o mastro: o vento que flui por barlavento na vela está
comprimido, empurrando-a no seu perfil, enquanto o vento
que passa à sotavento da vela, sofre uma aceleração
ao percorrer o seu perfil.
Como vimos no item 8.1, a baixa pressão à
sotavento é responsável por cerca de 67%
do lift da vela ou da força aerodinâmica
que faz a embarcação se mover.
Podemos então concluir que uma embarcação
à vela é 1/3 empurrada e 2/3 puxada pelo
vento.
Além disso, grande parte da força gerada
pela vela atua de lado com o casco, daí a necessidade
da bolina em cascos compridos. A bolina tem um pouco
de resistência ao movimento para frente, mas dá
à prancha a resistência lateral necessária
para se velejar para onde a proa aponta.
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