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9.
ENTRANDO EM AÇÃO
9.1. COMO
DIRECIONAR A PRANCHA
A prancha à vela é a única embarcação
à vela que não tem leme, portanto a direção
é dada através da inclinação
da mastreação.
A resultante de todas as forças que atuam na
vela podem ser interpretadas como atuando em um único
ponto: o Centro de Pressão (CP) da vela.
Da mesma forma podemos achar uma força resultante
de todas aquelas que atuam lateralmente na prancha:
o Centro de Resistência Lateral (CRL).
Quando a mastreação está na posição
de equilíbrio, ou seja, quando o CP está
alinhado como o CRL, podemos estar certos de que a prancha
irá manter o rumo em linha reta, para onde o
bico estiver apontando. (É como manter o volante
do carro no meio.)
Com vento fraco, esta posição de equilíbrio
se dá com o mastro praticamente na vertical,
exceto na empopada, onde o mastro irá pender
um pouco para o lado, para manter o equilíbrio
da mastreação e o rumo da prancha.
É claro que temos que inclinar o corpo para trás
em contrapeso para podermos escorar a vela à
medida que o vento aumenta de intensidade, inclinando-a,
porém, nesse caso, estamos inclinando a mastreação
à barlavento, exatamente para que o conjunto
possa permanecer em equilíbrio e a prancha manter
o rumo em linha reta.
Agora, se mudarmos seu centro de gravidade de modo a
tirar a mastreação da posição
de equilíbrio, certamente a prancha irá
girar para algum lado, ou para a esquerda ou para a
direita. (É como se virássemos o volante
do carro.)
Embora na prática seja exatamente isso que acontece,
devemos nos acostumar a pensar sempre em relação
à direção do vento, esquecendo
esquerda e direita, pois como a direção
do vento é fixa, o comando que faz a prancha
girar para a direita, indo num sentido, irá girar
a prancha para a esquerda, voltando no sentido oposto.
Fazendo uma analogia a um carro, só há
duas maneiras de se mudar de direção:
pode-se apenas virar uma curva para a esquerda ou para
a direita, porém, como estamos sendo impulsionados
pelo vento, que tem uma direção constante,
o que é direita na ida será esquerda na
volta, portanto sempre devemos raciocinar em relação
à direção do vento.
Desta forma, as duas únicas maneiras de virarmos
uma curva velejando são, a favor ou contra o
vento e, consequentemente, só há dois
comandos diferentes para isso, pra nossa sorte.
Portanto não se assuste: é muito mais
fácil pensar que só existem duas maneiras
de fazer a prancha mudar de direção, em
qualquer circunstância, independente da direção
ou intensidade do vento, das ondas, correnteza ou qualquer
outro fenômeno.
São elas:
1 - Para virar uma curva a favor do vento (arribar):
incline o mastro para frente.
Como
fazer?
Incline
o mastro para frente, fazendo um giro com a mastreação
de modo que a mão de trás puxe a retranca
em direção ao ombro (de trás) e
a da frente a empurre em direção ao bico
da prancha, mantendo assim, a vela sempre cheia.
Com isso, o CP vai se deslocar para frente e a resultante
das forças que ali atuam irá empurrar
a prancha a favor do vento. Dizemos que estamos arribando.
2
- Para virar uma curva contra o vento (orçar):
incline o mastro para trás.
Como
fazer?
Incline
o mastro para trás, mantendo ele sempre perto
do seu corpo, para que a vela não caia à
sotavento, buscando encostar a ponteira traseira da
retranca na rabeta da prancha.
Com isso, o CP vai se deslocar para trás e a
resultante das forças que ali atuam irá
empurrar a prancha contra o vento. Dizemos que estamos
orçando.
Para
manter o rumo em linha reta: mastreação
na posição de equilíbrio.
O
CP deve se manter alinhado com o CRL.
9.2. EXERCÍCIO PRÉ-VELEJO
Tudo isso fica mais fácil de se perceber da seguinte
maneira, mesmo sem velejar, apenas com o auxílio
do puxão: primeiro tente identificar a direção
do vento e em seguida suba na prancha (na água
ou num simulador) e levante a vela com o puxão
e, apenas segurando nele, posicione-se de frente para
o mastro e experimente jogar a vela para um lado e para
o outro.
Você vai notar que um comando é exatamente
o contrário do outro e, mais ainda, irá
confirmar o que viu na teoria:
Quando você joga a vela em direção
ao bico da prancha (inclina o mastro para frente), este
se afasta do vento, ou seja, você vira a prancha
a favor do vento.
Quando você faz o contrário, joga a vela
em direção à rabeta da prancha
(inclina o mastro para trás), o bico da prancha
se aproxima do vento, ou seja, você vira a prancha
contra o vento.
9.3. COLOCANDO EM PRÁTICA
Vamos definir agora uma sequência lógica
que deve ser seguida toda vez que o velejador for pra
água: depois de escolhido o point, o velejador
deve montar seu equipamento em local seguro, para não
danificar ou perder qualquer parte do material.
Monte sempre a vela com o mastro afilado com o vento
e cuidado ao deixá-la solta se o vento estiver
forte. Não é raro ver uma vela sair voando
no seco.
Olhe ao seu redor se não há cacos de vidro,
cactos ou qualquer coisa que possa furar a vela e nunca
a monte em solo áspero ou asfalto, isso acaba
com as costuras. Se der pra evitar a areia também
é bom, pois mastros, retrancas e extensões
costumam ficar emperrados.
Nunca deixe sua prancha solta em cima do carro, pois
o vento pode derrubá-la e nunca largue seu mastro
no chão perto de outros carros, pois às
vezes não dá para enxergar e é
comum um motorista distraído passar por cima.
Cuidado ao colocar o pé de mastro na prancha,
pois você pode perder a porquinha na areia e perder
o velejo por causa de 1cm. Tenha o mesmo cuidado ao
engatá-lo na extensão, pra não
perder aquela molazinha do engate. Faça sempre
isso em terra, pois é comum essa mola pular na
água e adeus velejo.
Faça sempre alongamentos musculares e se possível
um breve aquecimento, sobretudo se for velejar durante
horas.
Depois de tudo isso, verifique se não há
nada pra quebrar, tipo borracha de pé de mastro,
kit de trapézio, cabos, dê uma olhada na
ponteira da retranca, etc e, leve o equipamento para
a água, sempre com o mastro afilado e fora do
alcance das ondas, procurando sair mais pro fundo para
não quebrar a quilha.
Depois
de tudo isso, se o vento ainda não tiver acabado,
chegou a vez de velejar!!
Procure
sempre subir na prancha já de frente pro mastro,
no lado oposto da vela e, pisando no seu eixo longitudinal
com um pé de cada lado do pé de mastro,
levante a vela com o puxão.
Tome cuidado para não forçar a coluna.
Não tente levantar a vela com a força
dos braços, mas apenas segure o puxão
e procure jogar o corpo para trás em contrapeso,
até que a vela comece a subir.
9.3.1. MACETE PARA LEVANTAR A VELA
Para que a vela suba mais facilmente, tente levantá-la
puxando para o lado ainda na água, pra que a
retranca suba pela borda da prancha e deslize até
a água escorrer e ficar tudo mais leve.
Lembre-se:
Sempre
mantenha seu corpo de frente pro mastro, girando os
pés conforme o movimento da mastreação,
sempre que estiver segurando no puxão.
Isso
é fundamental, é a base pra que tudo comece
bem.
9.3.2. MACETE PARA INICIAR O MOVIMENTO
Após retirar a vela totalmente da água,
não tenha pressa. Deixe que o vento afile a vela
e espere a prancha parar. Se você continua se
mantendo de frente pro mastro, agora você está
de costas pro vento.
Lembre-se:
A vela solta, fora da água, é uma biruta
perfeita e sempre está afilada; a direção
da vela é a direção do vento.
Feito
isso, ainda segurando no puxão, ajeite a vela
de modo que esta se posicione perpendicularmente ao
eixo longitudinal da prancha, pois desta forma você
automaticamente estará recebendo o vento pelo
través, que é a posição
mais fácil de iniciar o velejo. Isso também
facilita muito a noção dos rumos, pois
você visualizará melhor a noção
de ângulo, já que a prancha está
fazendo um ângulo reto com o vento.
Agora que você está pronto pra velejar,
segure primeiro na retranca com a mão da frente
(cruze as mãos), que vai ficar mais perto do
mastro, puxando-o para perto do seu ombro da frente,
pra que fique na posição vertical.
Depois segure a retranca com a outra mão, que
vai ficar mais atrás e puxe-a em direção
ao peito, nunca para baixo (erro mais comum), enchendo
a vela sem deixar que a mão da frente caia à
sotavento (outro erro muito comum).
Você já está velejando!!
Agora
que a prancha começou a andar, tire seu pé
que estava na frente do mastro e chegue para trás,
que é a posição correta. Nunca
veleje com um pé na frente do mastro, pois apesar
de ser mais fácil no começo, é
impossível fazer o contrapeso desta forma, pois
para isso você deve ter uma certa distância
do mastro, sem falar que a prancha não vai conseguir
planar.
Veleje sempre com o corpo ereto e de frente pra vela,
olhando para onde a prancha está indo.
Agora é só escolher o rumo e...
...BONS
VENTOS!!!
9.3.3. MACETE PARA NÃO PERDER O RUMO
Sempre que você estiver indo num rumo qualquer,
procure achar um ponto (fixo) em terra para servir de
referência. Se você acha que está
indo numa direção legal, então
procure manter-se neste rumo. Trace uma linha imaginária
do bico da prancha até o tal ponto de referência
e tente velejar em cima desta linha.
Este macete é muito importante no contravento,
pra saber se você está mantendo a orça.
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