teoria on-line

10. MAREAÇÕES

10.1. VELEJANDO NO CONTRAVENTO


Uma embarcação está velejando no contravento quando seu rumo faz 45º com a direção do vento.

Como fazer?

Para se velejar nesta posição, deve-se procurar manter a vela o mais perto possível do eixo longitudinal da prancha, sem que ela comece a panejar junto à testa e sem que a prancha perca muita velocidade, não deixando que entre na zona morta e nem arribe demais.
A bolina (se tiver) deverá estar toda submersa e deve-se procurar manter o rumo da prancha a 45º com a direção do vento, que é o ângulo limite.
Para melhor orça e desempenho, deve-se procurar manter a prancha um pouco inclinada, de modo que o bordo de sotavento fique mais submerso que o bordo de barlavento.
A rigor, se estamos velejando num rumo que faz menos de 90º com a direção do vento, estamos velejando contra o vento. Porém, sempre que nos referimos ao contravento propriamente dito, pensamos no ângulo limite, na orça máxima.


10.1.1. BORDEJANDO NO CONTRAVENTO


Para se chegar até um ponto situado contra o vento, é preciso bordejar, ou seja, velejar em zigue-zague contra o vento, para um lado e para o outro, até que se chegue no ponto desejado. Não há regras para isso e nem existe um número de bordejos ideal, porém deve-se velejar no mínimo uma vez em cada bordo, senão é impossível atingir tal posição.
Repare também que, como os dois bordos do contravento fazem 45º com a direção do vento, considerando a orça máxima, então um bordo do contravento faz 90º como o outro, ou seja, um ângulo reto. Desta forma fica mais fácil de perceber o momento exato de fazer a cambada para atingir o ponto desejado: quando o objetivo a ser alcançado estiver "nas suas costas", é sinal que já dá pra cambar e passar a velejar no bordo oposto, pois o ponto em questão já estará alinhado com a sua proa, no seu novo rumo.




10.2. VELEJANDO NO TRAVÉS


Uma embarcação está velejando no través quando seu rumo faz 90º com a direção do vento, ou seja, quando está recebendo o vento pela sua lateral (través).


Como fazer?

Para se velejar nesta posição, deve-se procurar manter a prancha no rumo base, com a vela mais solta que no contravento, ou seja, mais afastada do eixo longitudinal da prancha, desde que não paneje.
A bolina deverá estar toda recolhida e deve-se procurar manter a prancha plana, sem inclinar para os lados e nem para frente ou para trás, bem com evitar saltar, pois perde-se velocidade quando a prancha sai da água, apesar de dar a impressão de que se está indo mais rápido.
A rigor, velejar no través é manter o rumo perpendicular à direção do vento, mas as variações de rumos compreendidos entre o limite de orça e a empopada também podem ser chamados de través, mais fechados ou mais abertos.
Desta forma, podemos dizer que velejamos num través fechado ou orçado quando o rumo faz um ângulo menor que 90º com a direção do vento, devendo então manter a vela mais caçada e, num través aberto ou folgado, quando o rumo faz um ângulo maior que 90º com a direção do vento (quase popa), devendo então manter a vela mais solta. É nesta situação que a prancha adquire a maior velocidade.
Atualmente o recorde mundial de velocidade em embarcações à vela é da Prancha à Vela e, foi conseguido num tipo de prancha muito pequena, fina e leve, específica para este fim, atingindo pouco mais de 90 km/h.


10.3. VELEJANDO DE VENTO EM POPA


Uma embarcação está velejando de vento em popa quando seu rumo é coincidente com o sentido do vento, ou seja, faz 180º com a direção do vento, ou ainda, quando recebe o vento por trás, vindo pela popa.

Como fazer?

Para se velejar neste rumo, deve-se procurar manter a vela perpendicular ao eixo longitudinal da prancha, com o mastro um pouco inclinado para o lado dele, de forma a equilibrar a mastreação e manter o rumo.
Apenas na prancha à vela se dá esta inclinação no mastro durante a empopada, pois todos os barcos tem o mastro fixo no casco e não necessitam de tal recurso para manter a mastreação em equilíbrio.
Na popa, como estamos indo na direção do vento, pode-se então velejar com o mastro à bombordo ou à boreste.
Muitos acham que este é o rumo que atinge a maior velocidade por se estar velejando exatamente a favor do vento, porém, pelo menos no nosso caso, as pranchas não desenvolvem tanto quanto no través, pois toda a área vélica também está se deslocando no mesmo sentido, criando um vento de deslocamento contrário, diminuindo a velocidade, ao passo que no través, o bordo de ataque da vela está cortando o vento com muito menos atrito enquanto a prancha se desloca.
Além disso, velejar de vento em popa numa prancha com vento forte é muito difícil, pois a instabilidade é grande, sem falar que quase todas as pranchas atuais não permitem velejar nesta posição devido ao seu shape (formato) ser desenvolvido exatamente para andar muito mais rápido no través.
Desta forma, mesmo em regatas, não é comum velejarmos diretamente na bóia de popa, pois se chega mais rápido fazendo um zigue-zague de través, a menos que o vento esteja muito fraco ou com ondulação a favor.


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