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TAPUTERA ABRE CALENDÁRIO 2004

Fala galera!!

Depois de quatro tentativas frustradas de realizarmos a tradicional regata "Volta da Taputera" na Classe Formula Windsurfing, finalmente conseguimos validar a 50ª edição da regata, que se não fosse uma das mais tradicionais do nosso calendário oficial, teríamos cancelado de vez após a segunda tentativa.

Com cerca de 20 km de percurso, essa é a maior e mais charmosa regata do estado.

Com largada e chegada no Iate Clube, o percurso segue rumo ao canal de Vitória, passando por trás das Ilhas do Frade e do Boi, entra no canal, passa por baixo da Terceira Ponte, pelo Penedo e, finalmente, quase chegando na Ponte Florentino Avidos, no centro da cidade, contorna a marca sobre a famosa Pedra da Taputera, que hoje se encontra submersa devido ao aumento do nível das águas no canal, em consequência da construção do porto, há muitos anos.

Desde que a Classe Prancha à Vela passou a adotar nas regatas oficiais do clube a Formula Windsurfing no lugar do Raceboard (pranchas de bolina), o percurso de prancha foi encurtado até as proximidades do Clube Álvares Cabral, pois as primeiras pranchas de Formula não velejavam nas condições de pouco a nenhum vento e correnteza consequente da variação da maré no canal, fato marcante nessa regata, o que resulta muitas vezes numa loteria.

Neste ano, até estipulamos que faríamos o percurso tradicional caso ventasse razoavelmente, pois as pranchas de hoje são muito mais largas e merrequeiras e as velas e quilhas bem maiores, mas o vento não colaborou.

Chegamos ao cúmulo de convocar a CR e fazer a quarta tentativa na sexta-feira à tarde, 02/04, onde tentaríamos ganhar mais um dia caso não ventasse de novo.

Sexta, 02/04:

E não deu outra. Com largada prevista para as 13:30h no píer norte do Iate Clube, esperamos desanimadamente pelo vento novamente, pelo menos uns 50 minutos após o horário previsto, quando então as rajadas de norte chegaram à incrível marca de 7 knots, ou seja, o mínimo pra que a regata exista. Jacaré Jr, juíz da CR, nem pensou duas vezes, deu logo início ao procedimento. Na largada consegui planar com muita bombada na velinha 11.0 e dei uma dispensada na galera, que ficou atolada logo depois da linha. Pouco depois Calango conseguiu planar também com muito esforço até encostar, com sua 12.5, seguido de Cassaro de 10.9. Lá atrás vinha o resto da galera boiando, Urubú, Ton, Nem, João Paulo e Marlova, não necessariamante nesta ordem.

Calango e eu, a esta altura do campeonato já muito na frente da galera, revezávamos as posições após cruzarmos a Ilha Rasa, aquela que fica na pontinha da Ilha do Frade. Fomos num bordo só e seguimos em direção ao canal, passando por trás das Ilhas do Frade e do Boi, rumo à Teceira Ponte, onde logo depois ficava a bóia que indicava o retorno do percurso reduzido.

Nesse meio tempo a merréca se instalou de vez, paramos de planar logo depois da Rasa e, fazendo vista grossa, ou melhor, ouvido grosso, nos gritos desesperados de Cassaro pra gente voltar e cancelar tudo, seguimos em direção à Ilha do Boi. Logo logo Cassaro e Nem encostaram e aí fomos - boiando - os quatro revezando as posições até a bóia depois da ponte. Nisso entra um navio no canal, cena que não acontece na regata tradicional pois o porto é fechado no período da regata, mas numa sexta à tarde ficamos sem moral pra isso, mas também não tinha problema pois o canal dos navios é mais pra esquerda e obviamente demarcado com boias. Montei em primeiro, lembrei dos tempos do Raceboard e começei a bombar ritmadamente todo torto no contra-vento, conseguindo de novo dar uma certa distância nos outros três e ficar mais tranquilo, só rezando pra não cancelarem a regata, coisa que só depende do bom senso da CR, segundo regra da Classe. Nisso, só vimos Ton atravessando o canal direto pra casa, boiando de volta pra Vila Velha. Lembramos nessa hora do navio, mas tudo bem.

Depois Nem, de minúscula 9.8 começou a encostar de novo e fomos então os dois do Clube Ítalo-Brasileiro até a chegada no píer do Iate revezando as posições, enquanto Cassaro desistia e era resgatado pelo inflável do clube, João Paulo voltava na metade do percurso e Urubú e Marlova tinham sumido há muito tempo. Calango voltava a ameaçar planar de 12.5 e encostou novamente depois da Rasa, pois o vento deu uma apertadinha. Nessa hora consegui até engatar o trapézio e pé nas duas alças, o que não fazia desde a largada. Dei um bordo suicida pra direita, pois Nem me passou e se eu fosse pra linha de chegada muito arribado já era, ia continuar em segundo ou talvez ainda caísse pra terceiro, caso Calango planasse.

Me dei bem nessa estratégia e cheguei um metro e vinte e três na frente dele e logo depois Calango em terceiro. Os outros todos DNF.

Uruba tava já de banho tomado vendo o "treino" no píer junto com Jr e constatamos o que já tínhamos certeza, Jr cancelou tudo e a regata seria novamente no domingo...

Quando cheguei na rampa descobri, pra meu desespero, que tinha aberto 5 calos e só tinha dois dias pra curar, ou seja, impossível. Sem falar que teria sido minha primeira vitória numaTaputera, até hoje só tive na melhor das hipóteses segundos lugares. Mas ainda tinha domingo...

Domingo, 04/04:

Estávamos prontos pra largar às 11:00h, mas com o tradicional atraso, saímos perto de 12:00h ou mais, nem lembro. O problema desse horário é que o vento ainda não se definiu, a previsão dizia que ia ventar um NE médio, mas a pergunta era se daria tempo de ir e voltar de velão ou não. Fora que essa previsão nunca acerta.

Depois de encher os calos de super bonder, cobrir com esparadrapo cirúrgico e calçar luvas, caí de 9.8 folgada na testa, apostando no vento médio, Urubú arriscou tudo de 12.5, Calango de 11.0 apostando na potência da nova North 2004, que tá muito mais power que a do ano passado, Marlova, Perseu (de volta depois de 40 dias de molho devido à uma cirurgia) e Cassaro de 10.9 e João Paulo de 9.8 também.

Quase esqueci, desenterraram Tubarão, que nesse dia deixou o kite de lado e participou também da regata e caiu de 10.6.

Logo na largada o vento começou a se mostrar estranho, dava umas rajadas loucas de norte, depois caía total. Larguei mal, atolei e me embolei na linha, tendo que cambar logo na bóia, aí todos foram pro mesmo lado e eu no outro bordo. Tinha uns 8, 9 knots nessa hora e Uruba sumiu na frente até o final da Ilha do Frade, João Paulo mesmo de 9.8 conseguiu pegar uma rajada boa e subiu bem até a última praia da Ilha do Frade, encostou em Uruba, abrindo de mim e Calango que alternávamos o terceiro lugar, então semi-atolados. O resto da galera boiava na enseada entre o Iate, Ilha do Frade e o colégio.

Nisso, ao cruzar a Rasa, Cassaro encosta, me passa e some também, ficando então Urubú, João e Cassaro lá na frente, eu mais atrás e Calango chegando aos poucos, o resto atolado naquele plana-não-plana asqueroso.

Logo depois o vento firmou legal e eu já previa tudo, Calango que tava de 11.0 ia me dispensar, era só questão de tempo, mas fui otimista, meus calos e os ante-braços, por não estar acostumado com luva, doíam muito e não dava mais pra velejar competitivamente no popa, agora era rezar pra entrar um toco e ver quem segura o contra-vento na volta!

Então o vento entrou, uns 16 a 18 knots, suficientes pra Calango e Tubarão virem lá de trás e desaparecerem na frente, indo pra cima de João, Sérgio e Urubú.

Na altura da ponte eu já tava semi-over, pois minha vela tava folgada regulada pra vento fraco, mas ainda tava tudo sob controle, fora o fato de que eu tinha caído de terceiro pra penúltimo.

Na volta a coisa melhorou a meu favor, também piorar era difícil, o vento entrou de vez e só vi Cassaro over desistindo, Marlova foi almoçar no Batalhão do Exército com uns 50 homens, Perseu já tava comendo churrasco no Iate e só restava me rasgar pra segurar a vela e talvez ganhar mais uma ou duas posições, pois Urubú, que teve que parar a prancha, chapar a vela e subir toda a retranca, já tinha uma certa vantagem sobre Calango, a esta altura já em segundo.

Bem abaixo vinham João e Tubarão, aparentemente over também. Aí cheguei a ter uma esperança de pegar um terceiro, pois já via João mais perto no canal depois da ponte e consegui regular tão bem o kit de trapézio que fiquei até surpreso e segurei bem a vela até o fim, segurava mais vento ainda com a 9.8, essa velinha é o bicho! Não decolei por sorte umas três vezes no contra-vento no bordo atrás da Ilha do Boi, pra mim o trecho mais difícil, mas infelizmente o cara mandou bem e segurou legal também até a chegada, mantendo o terceiro. O mesmo não aconteceu com Tubarão, que depois da entrada da Rasa não conseguiu arribar muito e foi ultrapassado pela minha pessoa logo no primeiro bordo da arribada de volta à linha. Cheguei a ficar com certa folga na frente de Tuba, mas na linha de chegada me sai do nada Henrique Furtado (que corria na "B"), de costas pra mim, em cima da bóia de chegada e, pra meu desespero, o cara não tava me vendo e eu que chegaria tranquilo, tive que dar um gybe louco na bóia e cruzar no outro bordo e sem bater nele e destruir as duas pranchas. Claro que caí desesperado, Tubarão vindo a mil pra chegada e eu colado na bóia sem conseguir levantar a vela, morto, com os cinco calos em chamas, aí lembrei do brasileiro em Niterói em 94, minha melhor fase no Raceboard, onde aprendi que vale remar e que bastava cruzar a linha com qualquer pate do equipo e foi o que fiz, dei umas poucas braçadas e minha vela cruzou a linha antes dele, que ficou mais desesperado ainda que eu, foi embora e baixou mais ainda o preço da prancha, que já tava à venda desde que passou a andar de kite.

Resumindo, o resultado foi: Urubú, Calango, João Paulo, Rominho, Tubarão e o resto DNF, todos ficaram over.

E pra quem não conhece a galera daqui de Vitória, isso não é o mundo animal, são só os apelidos.

Valeu,

Rominho - BRA110



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