| Fala
galera!!
Depois
de quatro tentativas frustradas de realizarmos
a tradicional regata "Volta da Taputera"
na Classe Formula Windsurfing, finalmente conseguimos
validar a 50ª edição da regata,
que se não fosse uma das mais tradicionais
do nosso calendário oficial, teríamos
cancelado de vez após a segunda tentativa.
Com
cerca de 20 km de percurso, essa é a maior
e mais charmosa regata do estado.
Com
largada e chegada no Iate Clube, o percurso segue
rumo ao canal de Vitória, passando por
trás das Ilhas do Frade e do Boi, entra
no canal, passa por baixo da Terceira Ponte, pelo
Penedo e, finalmente, quase chegando na Ponte
Florentino Avidos, no centro da cidade, contorna
a marca sobre a famosa Pedra da Taputera, que
hoje se encontra submersa devido ao aumento do
nível das águas no canal, em consequência
da construção do porto, há
muitos anos.
Desde
que a Classe Prancha à Vela passou a adotar
nas regatas oficiais do clube a Formula Windsurfing
no lugar do Raceboard (pranchas de bolina), o
percurso de prancha foi encurtado até as
proximidades do Clube Álvares Cabral, pois
as primeiras pranchas de Formula não velejavam
nas condições de pouco a nenhum
vento e correnteza consequente da variação
da maré no canal, fato marcante nessa regata,
o que resulta muitas vezes numa loteria.
Neste
ano, até estipulamos que faríamos
o percurso tradicional caso ventasse razoavelmente,
pois as pranchas de hoje são muito mais
largas e merrequeiras e as velas e quilhas bem
maiores, mas o vento não colaborou.
Chegamos
ao cúmulo de convocar a CR e fazer a quarta
tentativa na sexta-feira à tarde, 02/04,
onde tentaríamos ganhar mais um dia caso
não ventasse de novo.
Sexta,
02/04:
E
não deu outra. Com largada prevista para
as 13:30h no píer norte do Iate Clube,
esperamos desanimadamente pelo vento novamente,
pelo menos uns 50 minutos após o horário
previsto, quando então as rajadas de norte
chegaram à incrível marca de 7 knots,
ou seja, o mínimo pra que a regata exista.
Jacaré Jr, juíz da CR, nem pensou
duas vezes, deu logo início ao procedimento.
Na largada consegui planar com muita bombada na
velinha 11.0 e dei uma dispensada na galera, que
ficou atolada logo depois da linha. Pouco depois
Calango conseguiu planar também com muito
esforço até encostar, com sua 12.5,
seguido de Cassaro de 10.9. Lá atrás
vinha o resto da galera boiando, Urubú,
Ton, Nem, João Paulo e Marlova, não
necessariamante nesta ordem.
Calango
e eu, a esta altura do campeonato já muito
na frente da galera, revezávamos as posições
após cruzarmos a Ilha Rasa, aquela que
fica na pontinha da Ilha do Frade. Fomos num bordo
só e seguimos em direção
ao canal, passando por trás das Ilhas do
Frade e do Boi, rumo à Teceira Ponte, onde
logo depois ficava a bóia que indicava
o retorno do percurso reduzido.
Nesse
meio tempo a merréca se instalou de vez,
paramos de planar logo depois da Rasa e, fazendo
vista grossa, ou melhor, ouvido grosso, nos gritos
desesperados de Cassaro pra gente voltar e cancelar
tudo, seguimos em direção à
Ilha do Boi. Logo logo Cassaro e Nem encostaram
e aí fomos - boiando - os quatro revezando
as posições até a bóia
depois da ponte. Nisso entra um navio no canal,
cena que não acontece na regata tradicional
pois o porto é fechado no período
da regata, mas numa sexta à tarde ficamos
sem moral pra isso, mas também não
tinha problema pois o canal dos navios é
mais pra esquerda e obviamente demarcado com boias.
Montei em primeiro, lembrei dos tempos do Raceboard
e começei a bombar ritmadamente todo torto
no contra-vento, conseguindo de novo dar uma certa
distância nos outros três e ficar
mais tranquilo, só rezando pra não
cancelarem a regata, coisa que só depende
do bom senso da CR, segundo regra da Classe. Nisso,
só vimos Ton atravessando o canal direto
pra casa, boiando de volta pra Vila Velha. Lembramos
nessa hora do navio, mas tudo bem.
Depois
Nem, de minúscula 9.8 começou a
encostar de novo e fomos então os dois
do Clube Ítalo-Brasileiro até a
chegada no píer do Iate revezando as posições,
enquanto Cassaro desistia e era resgatado pelo
inflável do clube, João Paulo voltava
na metade do percurso e Urubú e Marlova
tinham sumido há muito tempo. Calango voltava
a ameaçar planar de 12.5 e encostou novamente
depois da Rasa, pois o vento deu uma apertadinha.
Nessa hora consegui até engatar o trapézio
e pé nas duas alças, o que não
fazia desde a largada. Dei um bordo suicida pra
direita, pois Nem me passou e se eu fosse pra
linha de chegada muito arribado já era,
ia continuar em segundo ou talvez ainda caísse
pra terceiro, caso Calango planasse.
Me
dei bem nessa estratégia e cheguei um metro
e vinte e três na frente dele e logo depois
Calango em terceiro. Os outros todos DNF.
Uruba
tava já de banho tomado vendo o "treino"
no píer junto com Jr e constatamos o que
já tínhamos certeza, Jr cancelou
tudo e a regata seria novamente no domingo...
Quando
cheguei na rampa descobri, pra meu desespero,
que tinha aberto 5 calos e só tinha dois
dias pra curar, ou seja, impossível. Sem
falar que teria sido minha primeira vitória
numaTaputera, até hoje só tive na
melhor das hipóteses segundos lugares.
Mas ainda tinha domingo...
Domingo,
04/04:
Estávamos
prontos pra largar às 11:00h, mas com o
tradicional atraso, saímos perto de 12:00h
ou mais, nem lembro. O problema desse horário
é que o vento ainda não se definiu,
a previsão dizia que ia ventar um NE médio,
mas a pergunta era se daria tempo de ir e voltar
de velão ou não. Fora que essa previsão
nunca acerta.
Depois
de encher os calos de super bonder, cobrir com
esparadrapo cirúrgico e calçar luvas,
caí de 9.8 folgada na testa, apostando
no vento médio, Urubú arriscou tudo
de 12.5, Calango de 11.0 apostando na potência
da nova North 2004, que tá muito mais power
que a do ano passado, Marlova, Perseu (de volta
depois de 40 dias de molho devido à uma
cirurgia) e Cassaro de 10.9 e João Paulo
de 9.8 também.
Quase
esqueci, desenterraram Tubarão, que nesse
dia deixou o kite de lado e participou também
da regata e caiu de 10.6.
Logo
na largada o vento começou a se mostrar
estranho, dava umas rajadas loucas de norte, depois
caía total. Larguei mal, atolei e me embolei
na linha, tendo que cambar logo na bóia,
aí todos foram pro mesmo lado e eu no outro
bordo. Tinha uns 8, 9 knots nessa hora e Uruba
sumiu na frente até o final da Ilha do
Frade, João Paulo mesmo de 9.8 conseguiu
pegar uma rajada boa e subiu bem até a
última praia da Ilha do Frade, encostou
em Uruba, abrindo de mim e Calango que alternávamos
o terceiro lugar, então semi-atolados.
O resto da galera boiava na enseada entre o Iate,
Ilha do Frade e o colégio.
Nisso,
ao cruzar a Rasa, Cassaro encosta, me passa e
some também, ficando então Urubú,
João e Cassaro lá na frente, eu
mais atrás e Calango chegando aos poucos,
o resto atolado naquele plana-não-plana
asqueroso.
Logo
depois o vento firmou legal e eu já previa
tudo, Calango que tava de 11.0 ia me dispensar,
era só questão de tempo, mas fui
otimista, meus calos e os ante-braços,
por não estar acostumado com luva, doíam
muito e não dava mais pra velejar competitivamente
no popa, agora era rezar pra entrar um toco e
ver quem segura o contra-vento na volta!
Então
o vento entrou, uns 16 a 18 knots, suficientes
pra Calango e Tubarão virem lá de
trás e desaparecerem na frente, indo pra
cima de João, Sérgio e Urubú.
Na
altura da ponte eu já tava semi-over, pois
minha vela tava folgada regulada pra vento fraco,
mas ainda tava tudo sob controle, fora o fato
de que eu tinha caído de terceiro pra penúltimo.
Na
volta a coisa melhorou a meu favor, também
piorar era difícil, o vento entrou de vez
e só vi Cassaro over desistindo, Marlova
foi almoçar no Batalhão do Exército
com uns 50 homens, Perseu já tava comendo
churrasco no Iate e só restava me rasgar
pra segurar a vela e talvez ganhar mais uma ou
duas posições, pois Urubú,
que teve que parar a prancha, chapar a vela e
subir toda a retranca, já tinha uma certa
vantagem sobre Calango, a esta altura já
em segundo.
Bem
abaixo vinham João e Tubarão, aparentemente
over também. Aí cheguei a ter uma
esperança de pegar um terceiro, pois já
via João mais perto no canal depois da
ponte e consegui regular tão bem o kit
de trapézio que fiquei até surpreso
e segurei bem a vela até o fim, segurava
mais vento ainda com a 9.8, essa velinha é
o bicho! Não decolei por sorte umas três
vezes no contra-vento no bordo atrás da
Ilha do Boi, pra mim o trecho mais difícil,
mas infelizmente o cara mandou bem e segurou legal
também até a chegada, mantendo o
terceiro. O mesmo não aconteceu com Tubarão,
que depois da entrada da Rasa não conseguiu
arribar muito e foi ultrapassado pela minha pessoa
logo no primeiro bordo da arribada de volta à
linha. Cheguei a ficar com certa folga na frente
de Tuba, mas na linha de chegada me sai do nada
Henrique Furtado (que corria na "B"),
de costas pra mim, em cima da bóia de chegada
e, pra meu desespero, o cara não tava me
vendo e eu que chegaria tranquilo, tive que dar
um gybe louco na bóia e cruzar no outro
bordo e sem bater nele e destruir as duas pranchas.
Claro que caí desesperado, Tubarão
vindo a mil pra chegada e eu colado na bóia
sem conseguir levantar a vela, morto, com os cinco
calos em chamas, aí lembrei do brasileiro
em Niterói em 94, minha melhor fase no
Raceboard, onde aprendi que vale remar e que bastava
cruzar a linha com qualquer pate do equipo e foi
o que fiz, dei umas poucas braçadas e minha
vela cruzou a linha antes dele, que ficou mais
desesperado ainda que eu, foi embora e baixou
mais ainda o preço da prancha, que já
tava à venda desde que passou a andar de
kite.
Resumindo,
o resultado foi: Urubú, Calango, João
Paulo, Rominho, Tubarão e o resto DNF,
todos ficaram over.
E
pra quem não conhece a galera daqui de
Vitória, isso não é o mundo
animal, são só os apelidos.
Valeu,
Rominho
- BRA110
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Podium
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